#jucy cordeiro #jucy #cordeiro #doula #tethahealer #tethahealing #terapeuta #hipnoterapeuta #doulagem #maternidade #parto natural #parto humanizado #parto normal #parto #florais # mindset #violência obstétrica #parto domiciliar #gestação #hipnose #mente #barras de access #reiki #preparação parto

Relato de Marcos

"As 16:40 do dia 15 de março de 2017, enquanto minha esposa tomava banho de piscina eu estava acompanhando a instalação do ar condicionado. Até por que chegamos na desejada 40 semanas naquele dia. Até aquele momento, ficha nenhuma tinha caído e talvez até hoje não tenha. Enquanto acompanhava a instalação do ar condicionado me preparava mentalmente a suportar noites e noites sem dormi...não pensava como ele seria ou com quem ele iria parecer.
Até por que imagina que ainda tivéssemos mais 1 semana, pois o parto não demostrava que fosse logo naquele dia. Lembro que passava no dia uma reportagem sobre a Siria, faziam 6 anos que estavam em guerra e vi cenas de crianças que morreram no confronto. E rapidamente veio a minha mente que para algumas crianças a vida estava terminado (sem nem ter começado) e em breve a vida de Pedro começaria. Aumentando minhas responsabilidades para permitir uma vida longa... E se pensarmos como mundo quanta coragem é necessária para trazer uma vida a esse mundo nos dias atuais...qual futuro aguarda as crianças de hoje?
Terminado a instalação do ar condicionado fui correndo para tomar um banho de piscina com minha esposa, aproveitar que ainda tinha um pouco de sol. Ao chegar no banheiro vejo ela tomando banho e de forma calma me informa que a BOLSA ESTOROU.
Nesse momento não pensava mais na Síria, não pensava se ele iria ser chorão ou se o ar condicionado estava funcionando. Na minha cabeça só veio a palavra F*DEU É AGORA! Fazer o que? Perguntei a minha mulher se dava tempo de tomar um banho de piscina. Como uma bala fui correndo tomar um banho e tentar mudar a minha chave mental, acho que era mais para ter alguns minutos para refletir o que iria fazer. Acho que meu desejo naquele momento era que quando subisse Pedro já tivesse nascido e tudo já estava pronto e resolvido.

O homem não se prepara para nada numa gravidez. Eu li, vi filme, assistir documentário, tivemos uma dola (Super dola) orientando, fui para encontro de gravidas e talvez apenas nos exames de ultrassonografia tinha o sentimento da gravidez e a presença do meu filho (chorava que nem menino pequeno, ficava até com vergonha da médica nos exames de ultrassonografia). Mas mesmo com essa busca da informação estamos com o pensamento em outras coisas (saúde financeira, apartamento, o que precisa ser comprado e outras coisas que nada tem a ver o parto e muito menos com a gravidez em si).
Minha esposa estava mais que preparada para aquele parto, fisicamente e psicologicamente. Ela conhecia e sentia tudo em seu corpo, além de estar muito tranquila. Tudo indica que a caminhada seria calma e com final feliz. Enquanto eu não relaxava.

Me envolvi emocionalmente de forma muito intensa, foram 9 meses de sono leve, insônia, ansiedade, nervosismo, comendo de forma descontrolada e até desejo eu tive. Em resumo a grávida era ela mas a gravidez era minha. 
Começamos acompanhando as contrações via APP e nas primeiras medições o aplicativo dizia “VÁ PARA O HOSPITAL”, Como assim? Agora...em plena manifestação dos sindicalistas, com a cidade toda alagada, todo o engarrafamento e sem eu nem saber como chegar na maternidade? É isso mesmo produção? A piscina estava tão boa.

Pegamos as mala com as coisas do bebê e as nossas. Fomos conversar com minha sogra pois minha esposa tinha receio que a mãe pudesse ficar nervosa ao saber que seria numa maternidade, que seria humanizado e natural. Dissemos que Roberta tinha sentido uma dorzinha e que iriamos no hospital mais perto apenas para dar uma olhada se estava tudo bem. Minha vontade era de contar a verdade e que ela fosse para ficar comigo kkkk Quem iria me segurar se eu desmaiasse ?
Calmamente saímos com minha esposa sentindo uma leve contração, eu olhava no Waze o melhor caminha e ali informava que em 40 min estaria na maternidade Mansão do Caminho. Eu falei 40 min...que seriam os mais rápidos minutos de minha vida, pois iria transformar esses 40 minutos em 15min. De repente...e bem rápido tudo mudou.

As contrações aumentaram e já via ela levantar a barriga até o teto do carro. E como cena de novela...corria como um louco, olhava o waze, fazia carinho nas pernas de Roberta, buzinava, olhava no retrovisor e fechava as pessoas no transito.
Na minha mente Pedro viria e eu seria literalmente o primeiro a pegar. Desci do carro para abrir o transito, gritava como um louco, pegava o acostamento...e quando menos esperei faltava 5 min para chegar na maternidade. Acho que ali voltei a respirar e lembrava que devia ter feito o caminho até a maternidade antes para me sentir mais confiante. 
Ao parar o carro na maternidade me sentir muito tranquilo, uma tranquilidade e uma paz imensa que o local transpira. Fomos logo recebidos pela enfermeira que já nos direcionou para a médica local (me fugiu o nome dela).

Ao observar minha esposa andando como um pato...vi que já tinha sangue pra tudo que era lado e naquele momento ainda estava em pé. Só pensei que iria assistir o parto numa boa. Ela chegou as 18:30 e com 8 cm de dilatação, logo faltaria bem pouco para nascer.
Grita pra um lado, grita do outro lado, esperneia pra tudo que é lado....é a tal da dor da vida kkk é de assustar ! Fica de lado, fica de cócoras, dentro do chuveiro, na bola e nada de Pepeu vim. Pensei...vou tentar ajudar...entro no chuveiro com minha esposa...de cueca, que sensação maravilhosa...sentia Pedro se mexendo na barriga mas ainda nada de vim. A médica acompanha os batimentos de Pepeu e de Roberta enquanto desfilo de cueca pra tudo que é lado, limpava o sangue que vinha caindo, fazia uma massagem, segurava na mão, falava palavras positivas e motivadoras para aliviar as dores em resumo ajudo no que posso.
Nossa Dola (Jucy) estava em Feira de Santana na hora que a bolsa estourou e de repente chega para ajudar, ela foi fundamental na gestação e no parto. Com seus óleos, suas músicas, suas massagens e todo conhecimento fizeram o processo evoluir bastante, porém até agora nada de Pepeu.

Vou conversar com a médica e ela informa que que está próximo, observo que ela vem ao quarto com mais frequência. Imagino que realmente Pepeu estava por vim. 
22:30 e Nada de Pepeu chegar...minha vontade era desistir e levar para um hospital para fazer um cessaria e acabar logo com isso. Porém apoiei desde o começo e não poderia roer a corda logo naquele momento...levaríamos até o final a vontade da mãe. Na verdade, quem somos nós para decidir alguma coisa, somos simples atores coadjuvantes nesse filme da vida. Nosso papel é de dar todo suporte possível para a mulher, fazer os seus desejos e deixar que elas brilhem e levem o Oscar para casa.
Continuo ajudando como posso mas já com um nervoso sem tamanho em meu coração. Percebo que médica tira as medições com mais frequência e sem deixar que a gente perceba os resultados, nesse momento passa em minha mente até um final que não pudesse ser o desejado. Peço a Deus pela saúde de minha família mesmo sem saber conversar direito com ele, penso que me falta fé para um pedido tão grandioso. De repente a médica avisa que se Roberta não fizesse força suficiente ela teria que intervir no parto.

Eu sabia que ela tinha dado seu máximo, ficou em todas as posições possíveis, sofreu a dor do parto e agora alguém ia colocar a mão e ganhar os louros de tudo que foi feito. Sabia que essas palavras da médica seria algo incentivador. Ele estava muito perto, cheguei a ver ele coroando várias vezes...vinha...dava um oi e voltava.
Minha esposa pede para colocar uma música, então coloco Acoustic Medley de Bob Marley, pois sabia que era uma versão mais longa (aproximadamente 13 minutos) e que daria tempo dela fazer toda a força do mundo. Num senta e levanta danado, percebo que ela encontrou uma posição favorável e que chegou a hora, com toda a força que vejo em seus olhos...e com a música de Bob ao fundo...vejo toda a força de uma mulher destemida, decidida e desafiada a pegarem na sua cria.
Como resultado de uma força divina, está lá uma cabeça de bebê no meio de duas pernas...Meu deus eu NUNCA imaginei que teria uma oportunidade de ver uma cena dessa...ele passou a cabeça. UFA ! Chegou...mesmo sendo uma cena forte me atento aos detalhes...desde o rostinho japonês de Pedro e meio verde, até a médica retirando o cordão umbilical do seu pescoço, até sair o resto do corpo é rápido, mas é essa cena que para o meu tempo. Fico com essa imagem guardado na minha memória.

Parecendo um pequeno bezerrinho ele gira o pescoço e assa todo o corpo, a médica (muito triste de não lembrar o nome dela) de forma muito ágil recebe ele e já começa a dizer que nasceu e que é saudável, sem ele nem chorar. Como assim não vai chorar ? Ele ainda roxo\ verde sem nem mexer o corpinho ainda...demorar para chorar, será que falta um tapa na bunda ? De repente a cor da vida começa a ganhar seu corpo e com ela traz um gemido que fica registrado eternamente em minha mente. 
Barulho gostoso...que diz que chegou e está tudo bem…já vai direto para o peito, como forma de recompensa por todo o trabalho gostoso que fez.
Pedro nasceu saudável as 23:28, com 3,5 kgs na Mansão do Caminho, ao som de Acoustic Medley de Bob Marley num parto normal e humanizado onde estava o Pai, a Médica, uma enfermeira e Jucy (dola)
Tenho que agradecer demais a Mansão do Caminho e a Divaldo Franco pela oportunidade de dar para as pessoas um local como aquele. Onde todas as pessoas envolvidas demostraram o carinho e o amor.

A Jucy (doula) por incentivar e levar a gente ao extremo da nossa consciência do conhecimento, você teve um papel fundamental no enredo da obra.
A minha esposa que foi guerreira, foi mulher, foi mãe...foi determinada e decidida. Você fez desse enredo um lindo filme e levou o nosso Oscar para casa. Parabéns...foi merecido após todo seu esforço.
Esse é o meu relato do dia que me fez descobrir o sentido real da vida e da descoberta do amor mais puro em forma de vida."

-Marcos, pai de Pedro